Qual é o risco de contrair uma infecção hospitalar no Brasil?
A infecção hospitalar atualmente é conhecida também como Infecção Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). De qualquer forma, sua definição é: IRAS são infecções cuja aquisição está relacionada a um procedimento assistencial ou internamento.
Em suma, as IRAS são consideradas quando adquiridas após 72 horas da admissão do paciente e que se manifestam durante a internação, ou após a alta. Se houver infecção desde a admissão, a infecção é classificada quando há um agravamento do caso, isolamento de outro patógeno na mesma topografia (local), ou infecção por outro microrganismo em um sítio diferente do que originou o primeiro atendimento.
Exemplos de infecção hospitalar
Alguns exemplos de infecção hospitalar são as chamadas de sítio cirúrgico (ISC), pneumonias hospitalares, como as pneumonias associadas a ventilação mecânica (PAV). Outro tipo comum são infecções do trato urinário associadas a cateter (ITU) e infecções da corrente sanguínea associadas a cateter (IPCS) são exemplos de IRAS.
Além destas, outras infecções adquiridas em ambiente de assistência, como a diarreia por Clostridium difficile e surtos de infecções virais adquiridas em hospitais também são IRAS. Portanto, à COVID-19, se adquirida em ambiente de assistência também deve ser notificada como IRAS.
No caso do SARS-CoV-2, a infecção hospitalar mais importante é aquela associada à ventilação mecânica, por se tratar de uma infecção de vias respiratórias que pode precisar desse tipo de suporte, mas também as infecções associadas à corrente sanguínea decorrentes da punção venosa. Além destas, as ITU também podem ocorrer, pois os pacientes de UTI que estão desacordados precisam fazer uso do cateter urinário.
A notificação de IPCS à ANVISA é obrigatória e deve ser realizada mensamente por hospitais com UTI dede 2014. Em 2016, tornou-se obrigatória também a notificação de ITU, PAV e ISC por cirurgia cesariana. A notificação inclui ainda os marcadores de resistência microbiana das respectivas infecções.
Risco em ambiente hospitalar e de saúde
De fato, existe o risco de contaminação em ambientes de saúde por microrganismos simples ou multirresistentes, que são aqueles que não respondem a qualquer terapia antimicrobiana. De tal forma que o principal exemplo de multirresistência são as superbactérias e estas são as mais relevantes clinicamente:
– A klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC), bactéria que produz a enzima que confere resistência aos antibióticos do tipo Carbapenens;
– O Staphylococcusaureus resistente à Meticilina (MRSA) e
– O Enterococcus resistente à Vancomicina (VRE)
A princípio, estas superbactérias são mais comuns em ambientes hospitalares e o seu desenvolvimento está diretamente ligado ao uso indiscriminado de antimicrobianos.